Há conversas que ficam. Este episódio do Sala dos Professores é uma delas.
Fernanda King, neuropedagoga, diretora de escola, formada em Pedagogia e mestre em Políticas Públicas, com especialização em Neurociência e IA aplicada à Educação, trouxe uma clareza de pensamento que atravessa o ecrã. O tema: a escola deixou de ser humana?
Cérebros mais rápidos, escola mais lenta
As gerações mais jovens cresceram imersas em tecnologia. São cérebros mais acelerados, mais criativos, mas também mais ansiosos e com menos capacidade de autorregulação emocional. O problema não está na tecnologia em si, defende Fernanda, mas em como a usamos: uma criança que nunca aprendeu a gerir a frustração chega à escola sem ferramentas para esperar a sua vez ou concentrar-se.
A IA potencia, mas também pode paralisar
A inteligência artificial torna os bons profissionais ainda melhores. Mas em quem não desenvolveu sentido crítico, pode criar dependência. "A pessoa simplesmente acredita em tudo o que a IA diz, sem capacidade de julgar se a resposta está certa ou errada." A escola é o único lugar capaz de ensinar a usar com ética e consciência.
Avaliação como autópsia
Os exames finais chegam tarde demais. Fernanda usa uma metáfora certeira: uma avaliação que acontece no fim é uma autópsia, dá informação sobre algo que já não tem remédio. O que se precisa são pequenas consultas de diagnóstico ao longo do percurso, ao serviço da aprendizagem, não da seleção.
Humanizar a escola começa pela porta
A resposta é simples e exigente: trazer as famílias para dentro. Mostrar-lhes o que é gerir uma sala de aula. Recuperar o respeito pela escola enquanto instituição. Porque antes de qualquer tecnologia, "a escola é sobre relações humanas, é onde aprendemos a ser gente."
Ouça o episódio completo.
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O podcast Sala dos Professores é uma produção da Intuitivo, em colaboração com o Professor Marco Bento.



